Na cama de casa, como no leito do hospital

Combatendo o câncer ao lado da família
29 de abril de 2016

Na cama de casa, como no leito do hospital

Cresce no Brasil o serviço de home care, o atendimento médico domicilar, que vai da coleta de materiais para exame e de uma radiografia a um tratamento completo.

Um acidente de moto mudou completamente a vida de um jovem universitário de 25 anos, e a de sua família. Diagnóstico: traumatismo craniano. Em coma vegetativo há oito meses, vez ou outra ele tem infecções paralelas que precisam ser combatidas com rapidez. A última, uma broncopneumonia, foi detectada a tempo graças a uma radiografia feita em sua própria casa. Esta comodidade e outros benefícios fazem com que o serviço de atendimento domiciliar (home care) cresça a cada dia no país.

Sem esse tipo de atendimento, a remoção do rapaz em coma para o hospital seria bem complicada: inerte, ele sobrevive às custas de um respirador e de sondas renal e naso-enteral, que dificultam o transporte. A radiografia realizada em domicílio pode ser de três a cinco vezes mais cara do que uma feita em clínica especializada, mas certas circunstâncias, como as do caso desse rapaz, o exame em casa compensa, pois o custo da remoção é muito alto.

Tudo começa com a comodidade unida à necessidade. Se uma pessoa está sendo tratada em casa e utiliza soro, dreno, respirador, monitoração cardíaca e outros aparelhos indispensáveis, imagine o transtorno para transportá-la até o hospital para que ela faça um exame de raio X. Sem contar o estresse e o cansaço, há um risco enorme ao se desligar fios e tubos essenciais para a sobrevivência do doente“, explica o técnico de radiologia Alexandre Inácio Leite, 29 anos.

Emergências
Há seis meses, Alexandre criou uma empresa especializada em exames de raio x em domicílio, a Mobimagem (tel: 11) 2422.3316). A ideia surgiu depois de comprar um aparelho portátil de radiologia. Poucos profissionais atuam nesse segmento, pois o custo do equipamento e o treinamento, específico para o atendimento, é muito elevado.

Alexandre teve um treinamento diário, por quatro meses, com a ajuda de Phanton – peças anatômicas que simulam a estrutura do tecido humano-, sob a supervisão do médico radiologista Bejamim Carneiro Rodrigues, 66 anos. Só então pode sair com sua unidade móvel e atender seus pacientes com qualidade.

O aparelho de raio x usado em domicílio não é tão potente como o de um hospital, que tem mais de 100 mil watts de potência. Um aparelho de menor potência garante a dosagem adequada para atendimento em casa.

O objetivo do atendimento domiciliar é tratar acidentes e emergências. Casos comuns são uma sonda desviada, um cateter normal colocado, infecções bronco-pulmonares e toda a área de ortopedia. Em urgências, é possível revelar a radiografia em alguns minutos, pois a unidade móvel está equipada para esse serviço“, explica Alexandre

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